quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Um breve estudo da Filosofia e da Lógica: A força do Argumento

Nossas vidas são um eterno aprendizado, estamos sempre construindo estruturas maiores e mais capazes de assimilarem a Verdade.

O problema de Verdade absoluta vem encantando o homem desde que ele criou a linguagem, com seus simbolismos, visuais, sonoros e táteis, para bem cumprir a tarefa de externar a seus semelhantes suas idéias e pensamentos, portanto criar.

Tudo o que se sabe tem como princípio as estruturas lógicas que estabelecemos ao longo de nossa existência, de nossa infância à idade adulta, apesar de muitas vezes construidas de maneira não tão adequada, pois pela nossa tradição greco-cristã-cartesiana, somos inclinados a estabelecer premissas das dualidades absolutas e do determinismo, como se o universo fosse apenas um mar de variáveis discretas, correspondendo a forças opostas, porém encarando o ser humano como elemento plenamente passivo, sempre governado por um destino pré-determinado ao qual não se poderia escapar.

Não consigo conceber este discretismo da dualidade, creio que o modelo mais adequado passa pelo difuso, entre o bem e o mal existem infinitos estados ou condições morais que sempre serão escolhidos pelo ser, de acordo com suas concepções e suas construções mentais.

O presente é o unico tempo em que vivemos, o passado é como uma roupa que não nos serve mais e o futuro ainda não veio, porém está estritamente ligado às nossas escolhas no presente e não a um acaso aleatório, e nem a uma sina determinada por alguma divindade qualquer.

O futuro é somente uma onda de probabilidade, a qual quando observada no momento presente, se colapsa em um novo evento no momento posterior, quando o mesmo se torna presente.

A estrutura cognitiva formada no passado é que estabelece a relatividade da observação presente que se converteré em evento futuro.

Mesmo com estas falhas, nossas tradições ainda nos trouxeram muitos pontos positivos tais como os conceitos de hipótese, indução, dedução, silogismo, falácia, sofisma, dialética, nas quais enfatizamos toda estrutura de um pensamento lógico que rege o que chamamos argumentação.

A argumentação é o instrumento mais forte a que recorremos ao expormos nossas idéias na maneira simbólica de cada linguagem.

Apesar de nossa tendência natural ao factual do que ao retórico, um conceito não sobrevive sem o outro, não existindo nada que seja totalmente factual, assim como nada que seja inteiramente retórico. Mesmo a ciência, a qual trata a obtenção do conhecimento pela experiência ou realização do fato não é eminentemente "factual", pois toda a teoria que possa estabelecer-se através de seus modelamentos, necessita de uma premissa básica, um axioma, o estabelecimento de condições de contorno que limitam o conhecimento da verdade de uma maneira mais ampla. Estes axiomas são comparáveis aos dogmas religiosos, empregados pela fé.

A tão discutida fé, muitas vezes levada a extremos de fanatismo cego que percebemos nas diversas religiões que cohabitam este mundo.

Cremos no que não sabemos, pois o que sabemos, simplesmente sabemos e portanto não necessitamos crer.

Ao meditarmos sobre o exposto, podemos concluir que ainda é essencial nos valermos do uso da argumentação. Argumentação esta que implica à renúncia ao uso estúpido da força, da violência, de outras formas coercivas em que muitos se baseiam para fazer valer seus pontos de vista.

Contra fatos não há argumentos, porém, todavia, o que chamamos de fatos, na maioria das vezes, são apenas vislumbres assombrosos de uma realidade refletida em nosso interior a verdadeira luz do mundo exterior, como na fábula da caverna de Platão.

A única e verdadeira força de persuasão aceitável é a que os principios do respeito a liberdade de juízo individual de cada ser pensante, é a persuasão racional. O recurso da argumentação, portanto, supõe o estabelecimento de comunidade dos espíritos que enquanto dura, exclui o uso da violência.

Sempre é bom lembras de algumas coisas básicas, conforme os padrões de comportamento éticos e morais aceitos em nossa sociedade:

- Em primeiro lugar, não existe nada pior do que os opôstos - o fanatismo cego e o ceticismo completo. Ambos falham por nem admitirem qualquer argumento que possa demove-lo de suas posições estanques que não admitem nenhuma outra opção, para os primeiros devido a extrema ignorância e mistificação e outro lado a epistmologia eminentemente factual das ciências ensinadas na escola, como meramente deterministicas e limitantes. Somente a ambos personagens é que interessam o total descrédito da argumentação e da retórica.

- Em segundo lugar, sempre é bom lembrar que, históricamente, o argumento e sua prática antecedem a qualquer cálculo ou fórmula no estabelecimento de um modelamento. comprobatório de uma teoria dita cientifica.

Concluindo:

Apenas a existência de uma argumentação confere um sentido à liberdade humana, condição absoluta e necessária para o exercício a uma escolha racional.

Sempre combateremos as oposições filosóficas que taxativamente e irredutivelmente nos são apresentados pelos absolutísmos de todos os tipos: do dualismo da razão e da imaginação, da ciência e da opinião, da evidência irrefragável e da vontade engana

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